No subterrâneo da Catedral da Sé, cripta faz 100 anos com concertos gratuitos
11/07/2017 09:58 em Mundo

Embora a Catedral da Sé seja um dos principais cartões postais do Centro de São Paulo, pouca gente sabe que, “escondida” sete metros abaixo do piso do altar, há uma cripta que abriga os restos mortais de personagens importantes da história da cidade. 

A Cripta da Catedral da Sé completa 100 anos em 2019. Em comemoração, a população vai poder visitar o espaço gratuitamente e assistir a 30 concertos musicais que começam neste sábado (6) e vão até março de 2020.

 
Os músicos Gabriel Ribeiro e Alexandre Ribeiro tocam na Cripta da Catedral da Sé  — Foto: Celso Tavares/G1 Os músicos Gabriel Ribeiro e Alexandre Ribeiro tocam na Cripta da Catedral da Sé  — Foto: Celso Tavares/G1

Os músicos Gabriel Ribeiro e Alexandre Ribeiro tocam na Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

 

“O projeto surgiu por conta do centenário. Começamos a pensar em como ampliar o público e trazer pessoas que não necessariamente frequentam esses espaços. A ideia é que não seja só sobre a catedral e a cripta, mas sim sobre a relação da Catedral com a Praça (da Sé) e com a cidade”, diz Camilo Cassoli, diretor geral do projeto.

 

Segundo Cassoli, as apresentações serão variadas, contando com nomes consagrados e também novos artistas que tocarão de música erudita a popular. “O repertório é muito diverso, vai ter de arte sacra a Beatles e Luiz Gonzaga. Não queremos ficar só na questão religiosa, mas falar também da importância histórica desse prédio”, afirma.

Projetada pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, a cripta foi inaugurada em 1919, ainda no contexto de crescimento econômico da cidade com o ‘boom’ do café. No entanto, a 1ª Guerra Mundial e a crise de 29 fizeram com que as obras do resto da catedral atrasassem. A igreja só foi inaugurada 35 anos depois, na comemoração dos 400 anos de São Paulo, em 1954.

 
Catedral da Sé, no Centro de São Paulo  — Foto: Celso Tavares/G1Catedral da Sé, no Centro de São Paulo  — Foto: Celso Tavares/G1

Catedral da Sé, no Centro de São Paulo — Foto: Celso Tavares/G1

“A construção da cripta coincide com o ápice de crescimento de São Paulo. É a primeira obra que é inaugurada nessa nova praça, e temos poucos edifícios centenários que estão conservados assim. A gente tem uma documentação que as catedrais da Europa, por serem mais antigas, não têm. Temos as fotos dos operários que construíram e você vê no rosto deles que são imigrantes”, afirma Cassoli.

 
Teto da cripta da Catedral da Sé, em São Paulo — Foto: Celso Tavares/G1Teto da cripta da Catedral da Sé, em São Paulo — Foto: Celso Tavares/G1

Teto da cripta da Catedral da Sé, em São Paulo — Foto: Celso Tavares/G1

Para dialogar com o contexto histórico do local, os 30 concertos foram divididos em quatro temas que abordam períodos diferentes. O destaque é para os povos que compõem a cidade.

 

“Falar sobre São Paulo é falar sobre diferentes povos. Grupos indígenas, portugueses, de matriz africana. De migrações antigas a mais recentes, como a dos sírios e haitianos, vamos ter a participação de músicos de diferentes origens. A música é importante para trazer os próprios participantes dessas histórias. No caso dos imigrantes, eles estão falando sobre si mesmos”, diz.

 

 
Entrada da Cripta da Catedral dá Sé fica no fim de escada ao lado do altar — Foto: Celso Tavares/G1Entrada da Cripta da Catedral dá Sé fica no fim de escada ao lado do altar — Foto: Celso Tavares/G1

Entrada da Cripta da Catedral dá Sé fica no fim de escada ao lado do altar — Foto: Celso Tavares/G1

 

Personalidades da cripta

 

Para além das figuras religiosas, Cassoli também destaca a presença na cripta dos restos mortais de personalidades como o Cacique Tibiriçá, considerado o primeiro cidadão paulistano; o Regente Diogo Feijó, que governou o Império enquanto D. Peddro II era criança; o Padre Gusmão, considerado inventor do balão; e a figura mais recente de Dom Paulo Evaristo Arns, que teve importância política na defesa dos direitos humanos.

 
Túmulos da Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1 Túmulos da Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

Túmulos da Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

“Esse discurso de abertura, de convivência na cidade, talvez seja o elo principal entre o espaço religioso e a função cultural que a catedral exerce. A catedral tanto do ponto de vista político como inter-religioso é muito forte na história. Tivemos atos muito importantes ligados à democracia aqui, como as ‘Diretas já’ e a missa pela morte de Vladimir Herzog”, diz Cassoli.

Além da cripta, os concertos também serão realizados na nave da Catedral e em outros cinco pontos que normalmente não são abertos ao público: o coro, a pia batismal, a sala do piano e a sala Monsenhor Silvio.

 
Área do coral na Catedral da Sé também terá concertos  — Foto: Celso Tavares/G1 Área do coral na Catedral da Sé também terá concertos  — Foto: Celso Tavares/G1

Área do coral na Catedral da Sé também terá concertos — Foto: Celso Tavares/G1

 
Estátua de Francisco Leopoldo e Silva foi produzida em Roma e transportada para a Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1 Estátua de Francisco Leopoldo e Silva foi produzida em Roma e transportada para a Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

Estátua de Francisco Leopoldo e Silva foi produzida em Roma e transportada para a Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

 

Curiosidades sobre a cripta

 

 

  • Foi inaugurada em janeiro de 1919, 35 anos antes da Catedral da Sé
  • Fica a sete metros de profundidade, embaixo do altar da igreja, e tem formato de cruz
  • Abriga 30 câmaras mortuárias
  • O corpo de Santos Dumont ficou guardado na Cripta entre julho e dezembro de 1932, na revolução constitucionalista, até ser transportado para ser sepultado no Rio de Janeiro.
  • Possui duas esculturas de Jó e São Jerônimo que simbolizam a morte. Foram produzidas em Roma pelo artista Francisco Leopoldo e Silva
  • Possui 4 vitrais que serviam de iluminação parcial à Cripta quando a Catedral ainda não havia sido erguida. Hoje, são destacados por iluminação elétrica. Foram produzidos pela Casa Conrado, a mesma responsável pelos vitrais do Mercadão.

 

 
O músico Alexandre Ribeiro e seu filho Gabriel Ribeiro tocam na Cripta da Catedral da Sé  — Foto: Celso Tavares/G1 O músico Alexandre Ribeiro e seu filho Gabriel Ribeiro tocam na Cripta da Catedral da Sé  — Foto: Celso Tavares/G1

O músico Alexandre Ribeiro e seu filho Gabriel Ribeiro tocam na Cripta da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

 

"Concertos 100 Anos da Cripta da Catedral da Sé"

 

Data: de julho de 2019 a março de 2020
Dia: sábados às 16h 
Público: de 80 a 120 lugares
Entrada: gratuita (retirada dos ingressos no local com 1h de antecedência)
Programação completa: www.concertoscripta.com.br
Sábado 06/07: estreia com o violonista Alessandro Penezzi

 
Cripta da Catedral da Sé completa cem anos  — Foto: Betta Jaworski/G1Cripta da Catedral da Sé completa cem anos  — Foto: Betta Jaworski/G1

Cripta da Catedral da Sé completa cem anos — Foto: Betta Jaworski/G1

 

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