Ciro Gomes é alvo de inquérito da PF por ter criticado Bolsonaro em entrevista
06/04/2016 14:22 em Política

SÃO PAULO — O ex-ministro Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência da República em 2018, foi notificado há cerca de dez dias pela Polícia Federal de que está sendo investigado por suposto crime contra a honra do presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi aberta após o ex-ministro criticar o presidente em uma entrevista. O caso foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmado ao GLOBO pelo senador Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro.

Veja:  Inquéritos abertos para investigar casos de críticas a Bolsonaro

O inquérito foi aberto a pedido de Bolsonaro e está sendo conduzido pelo ministro da Justiça, André Mendonça. Na notificação, é citada uma entrevista de Ciro, em novembro do ano passado, à Rádio Tupinambá, de Sobral, reduto político da família Gomes. 

Na entrevista, Ciro chamou Bolsonaro de "ladrão". Também disse que o povo demonstra "repúdio ao bolsonarismo, à sua boçalidade, à sua incapacidade de administrar a economia do país e seu desrespeito à saúde pública".

O pedetista se referia às investigações sobre a prática de "rachadinha", apropriação de parte do salários dos funcionários do gabinete, por parte do filho mais velho de Bolsonaro, o hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Bernardo Mello FrancoCom Bolsonaro, Brasil vive sob estado de intimidação

— É mais um absurdo desse governo — afirmou Cid, sobre a abertura do inquérito.

Ciro se manifestou em suas redes sociais: "Não ligo para este ato contra mim, mas considero grave a tentativa de Bolsonaro de intimidar opositores e adversários. Entendo que é um ato de desespero de quem vê sua imagem se deteriorar todos os dias pela gestão criminosa do Brasil na pandemia", escreveu o ex-ministro.

Procurado pelo GLOBO, o Ministério da Justiça não se manifestou. 

Nesta sexta-feira, o Ministério Público Federal arquivou um inquérito aberto pela Polícia Federal contra o jornalista Ricardo Noblat e contra o chargista Renato Aroeira, pela divulgação de uma charge na qual Bolsonaro era associado a uma suástica nazista, símbolo do regime do ditador alemão Adolf Hitler. A PF havia aberto investigação contra eles a pedido do ministro da Justiça André Mendonça para apurar se eles cometeram crime contra a segurança nacional ao fazer essa crítica ao presidente. Aroeira era o autor da charge, e Noblat a compartilhou em uma rede social.

Em sua manifestação de arquivamento, a procuradora Marina Selos Ferreira, da Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF), escreveu que a charge estava dentro da liberdade de expressão e do direito de criticar o presidente por suas políticas na pandemia. Ela escreveu que a manifestação não pode ser enquadrada na Lei da Segurança Nacional, como queria André Mendonça, e também não configura crime contra a honra.

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